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{Ritual Solstício de Verão}

20 de dezembro de 2016


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21 de Dezembro no H. Sul
21 de Junho no H. Norte

Nesse dia o Sol atingiu a sua plenitude. É o dia mais longo do ano (solstício de verão). O deus chega ao ponto máximo de seu poder. Na noite de Midsummer, fadas, duendes e toda a sorte dos elementais correm pela Terra, celebrando o fervor da vida. É hora de pedirmos coragem, energia e saúde. Nos tempos antigos, a data era comemorada com jogos e festivais, onde o corpo e o físico eram reverenciados. (1)

Litha ou Solstício de Verão - É comemorado a 21 de dezembro no Sul ou 21 de Junho no Norte. Agora, toda a Terra encontra-se banhada pela Fertilidade da Deusa e do Deus. Este, está no auge de sua força, fazendo com que os dias sejam maiores do que as noites. Devemos nos lembrar porém, que se aproxima o momento dele começar a definhar. Em seu altar, coloque ervas solares e Girassóis, para representar a potência do Deus. Em Beltane, louvamos a Deusa em seu aspecto de Gaia, a Mãe Terra, e o Deus em seu aspecto de Deus Sol.
Nesse dia o Sol atingiu a sua plenitude. É o dia mais longo do ano. O deus chega ao ponto máximo de seu poder. Este é o único Sabá em que às vezes se fazem feitiços, pois o seu poder mágico é muito grande. É hora de pedirmos coragem, energia e Saúde. Mas não devemos nos esquecer que, embora o Deus esteja em sua plenitude, é nessa hora que ele começa a declinar. Logo Ele dará o último beijo em sua amada, a Deusa, e partirá no Barco da Morte, em busca da Terra do Verão.
Da mesma forma, devemos ser humildes para não ficarmos cegos com o brilho do sucesso e do Poder. Tudo no Universo é cíclico, devemos não só nos ligarmos à plenitude, mas também aceitar o declínio e a Morte. Nesse dia, costuma-se fazer um círculo de pedras ou de velas vermelhas.
Queimam-se flores vermelhas ou ervas solares (como a Camomila) juntamente com os pedidos no Caldeirão. (2)

Materiais:

  • Velas amarelas, ou vermelhas ou laranjas.
  • Vegetais frescos, frutas do Verão, pão de centeio integral, cerveja* e hidromel.
  • Incenso:  olíbano, limão, mirra, pinho, rosa e glicínia
  • Evas: camomila, cinco-folhas, sabugueiro, funcho,
  • cânhamo, espora, lavanda, feto masculino, artemísia, pinho, rosas, erva-de-são-joão,
  • tomilho selvagem, glicínia e verbena
  • Flores amarelas
  • Um círculo amarelo pra representar o sol.
  • Toalha amarela
  • Hidromel, vinho ou cidra
  • Bolos. Que tal um bolo de abacaxi? 



Como fazer o ritual:


Durante o dia, abra as janelas, as portas, borrife alguma essência como lavanda, e chame a energia solar para entrar e abençoar a sua casa.

Monte o Círculo. O Altar fica ao Norte, decorado com uma toalha amarela e flores, que podem ser girassóis e flores de verão. Coloque os elementos no altar e um círculo amarelo simbolizando o sol.
Diga para que este ritual é destinado. 

Invoque a Deusa:
"A luz do Solstício de Verão é vista sobre a água distante, 
sobre o mar, a água e o fogo apaziguados.
O sol zarpa para seu Outro Mundo. 
Também nós buscamos uma rota nova,
pois a Rainha do Verão traz o cálice da felicidade, doce cálice de um desejo cumprido.
Abençoa-nos, oh, Rainha do Verão,
abençoa todas as criaturas vivas.
Agora alcançamos o ápice, a mudança ocorrerá.
Agora se desfraldam as velas do Sol brilhante." (3)


Dancem no sentido dos ponteiros do relógio com alegria e liberdade. Cantem: "A Deusa traz o cálice da felicidade, o cálice do vinho vital."

Sintam na terra o poder de sua dança e cantem ao redor do caldeirão. Coloquem o poder da terra em suas danças e cantigas. Encham o cálice com vinho ou caldo de frutas. Digam: "Bebo à satisfação total."

Peguem duas velas apagadas e coloquem cada uma em um lado do caldeirão, na linha que corre de leste a oeste. Acendam as velas, dizendo: "Que os fogos do centro de verão brilhem". Enquanto estiverem acendendo-as, imaginem todos os outros fogos de verão, passados e presentes.

Fogueiras gêmeas são uma tradição nesta época.

Vocês estão invocando a proteção e as bênçãos sobre a terra, chamando pela bênção do Sol. As invocações bem simples são as mais poderosas. Vocês podem falar de forma espontânea ou, se com isso ficarem mais confiantes, usem palavras planejadas ou decoradas anteriormente. Poderia ser assim:

Chamo o poder, o brilhante Rei Sol,
enquanto ele viaja ao Outro Mundo.
Se ele desaparecer, que continue
a brilhar sobre esta terra,
trazendo paz e riqueza.
Chamo-o agora, para vencer tudo____
[por exemplo, a opressão].
Que estes pedidos voem alto em seu nome.  (3)


Todos podem queimar suas ervas e pedidos no caldeirão enquanto diz:
“Grande Deusa e Grande Deus, de ti fluem todos os poderes.
O Dois em Um, o Grande Espírito de Tudo o que é, 
Por seus poderes, existem o Ar, Terra, Fogo e Água
Por seus poderes, surgem o Sol, a Luz e as Estrelas.” (4)


Visualize tudo o que é negativo queimando com as ervas no caldeirão.
Terminada a queima de ervas, diga:
“Deixem que minha mente esteja aberta à verdade.
Que meus lábios falem sempre o justo.
Deixem que meu coração busque sempre o seu caminho.
Deixem que minhas mãos sejam talentosas aos seus trabalhos.
Deixem que meus pés caminhem nos caminhos sagrados!” (4)

Comam e bebam, separando uma parte para os deuses conforme já ensinado. No fim, desejem a todos “colheitas” abundantes.

Abra o círculo dizendo: "Este Círculo está aberto mas não rompido".


Dicas:

Hidromel sem álcool

2 litros de água mineral (sem cloro ou química);
2 xícaras de mel;
1 colher (chá) de noz moscada (moída por você);
2 limões cortados em fatias.
Ferva todos os ingredientes num recipiente de barro (panela rústica). Preste
atenção para ir retirando a “nata” com uma colher de pau enquanto ferve. Quando não
houver mais “nata”, acrescente o seguinte:
2 pitadas de sal;
Suco de 1 limão.
Coe e deixe esfriar. Depois é só beber, preferencialmente em temperatura natural. (4)


Salada de desejos

½ cabeça de repolho roxo;
1 alface média;
3 tomates;
15 azeitonas pretas tipo calabresa;
½ cebola roxa;
1 berinjela;
Azeite de oliva,
1 dente de alho.
Corte sua berinjela diagonalmente em várias fatias.
Coloque o azeite na panela em fogo médio.
Quando o azeite estiver bem quente, junte o alho esmagado e as fatias de
berinjela. Doure um pouco a berinjela. Seque o azeite da berinjela com papel
absorvente.
Tenha a certeza de que lavou sua alface.
Pique o repolho roxo na tábua de cortar, sempre em pedaços finos. Faça o
mesmo com a alface. Corte os tomates em fatias verticais. Corte as azeitonas e a cebola
de modo que mais lhe agrada.
Decore o fundo do prato com a berinjela. Coloque então a alface e o repolho no
prato, agora decorando com as rodelas de cebola e azeitonas.
Distribua as rodelas de tomate em volta do prato. (4)


O Solstício de Verão é uma época tradicional, em que os Bruxos colhem as ervas mágicas para encantamentos e poções, pois acredita-se que o poder inato das ervas é mais forte nesse dia. É o momento ideal para as divinações, os rituais de cura e o corte das varinhas divinas e dos bastões. Todas as formas de magia (especialmente as do amor) são também extremamente potentes na Véspera do Solstício de Verão, e acredita-se que aquilo que for sonhado nessa noite se tornará verdade para quem sonhar. (5)

Importante:
Todo esse ritual é apenas uma sugestão. A partir destas ideias você pode montar o seu próprio ritual. A magia é livre, e você faz o ritual de acordo com sua intuição. É claro que há símbolos carregados de energia pela tempo em que são usados nos rituais, que considero interessante inseri-los, mas, isso não é obrigatório. Uma vez que você está dentro do seu círculo (o que também não é obrigatório) você celebra conforme sua intuição. Até mesmo a roda do ano não é necessário realizar na bruxaria livre e natural. 


Propósito do Ritual:
Celebrar a chegada do Verão.


---
Fonte:
(1) ABC do Paganismo - Ana Death
(2) O Livro das Sombras - Scott Cunningham
(3) A Bruxa Solitária - Rae Beth
(4) Wicca - A Bruxaria Saindo das Sombras | Millenium
(5) Wicca, a feitiçaria moderna - Gerina Dunwich





{Solstício de Inverno - Starhawk}


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NATAL (SOLSTÍCIO DE INVERNO, 20-23 DE DEZEMBRO)²

O altar é decorado com visco e azevinho. Uma fogueira de raízes de carvalho é preparada, mas não acesa. O aposento está às escuras. O círculo se reúne. Todos meditam juntos, unindo suas respirações. A sacerdotisa diz:
"Esta é a noite do solstício, a noite mais comprida do ano. Agora, a escuridão triunfa: no entanto, recua e transforma-se em luz. O fôlego da natureza está em suspenso: todos aguardam, enquanto dentro do caldeirão o rei da escuridão é transformado em criança da luz. Aguardamos a chegada do amanhecer, quando a grande mãe dará à luz novamente a divina criança do sol, que é o portador da esperança e a promessa de verão. Esta é a quietude atrás do movimento, quando o próprio tempo para; o centro que também é a circunferência de tudo. Estamos todos acordados na noite. Giramos a roda para que ela traga a luz. Invocamos o sol do ventre da noite. Abençoados sejam!"

Purifique, disponha o círculo, mas não acenda as velas. Invoque a Deusa e o Deus. Todos sentados, comecem o cântico antifônico.
Todos:
Morrer e renascer,
A roda está a girar,
O que se deve relegar à noite? (Repita.)
Membro do coven: – Medo.
Todos:
O medo é relegado à noite.
O medo é relegado à noite.
Morrer e renascer,
A Roda está a girar,
O que se deve relegar à noite?

Prossegue-se inserindo linhas e repetindo-as, até que a energia esmoreça. Fiquem de pé e se deem as mãos. O sacerdote† posta-se diante do altar, segurando o crânio de um animal cheio de sal. A sacerdotisa lidera uma lenta procissão em espiral, que serpenteia para fora a fim de que cada membro fique de frente para o sacerdote.

Eles cantam:
A luz nasceu,
E a luz morreu. (Continue repetindo.)
Outra sacerdotisa sussurra:
Tudo passa,
Tudo se extingue.
O sacerdote coloca uma pitada de sal na língua de cada membro, dizendo:
Meu corpo é sal,
Prove o hálito da morte.

A sacerdotisa conduz a espiral para dentro, até que os membros estejam agrupados. Inicia uma indução ao transe improvisada, lentamente sugerindo que caiam por terra e adormeçam. Quando todos estão deitados, são conduzidos para um transe profundo mediante a indução de vozes múltiplas. Quando as vozes diminuem, se lhes diz:
– Você está penetrando em um espaço de liberdade perfeita.

Tempo é concedido para o transe em estado de suspensão antes do nascimento.
† Os papéis podem ser desempenhados por quaisquer membros: sacerdote e sacerdotisa são aqui utilizados por uma questão de simplificação.

A sacerdotisa aborda um dos membros do coven, fica de pé perto de sua cabeça, com as pernas separadas, e puxa-a, simbolicamente fazendo com que nasça. Ela tornase parte do canal de nascimento; o processo continua com os demais membros do coven, o canal de nascimento tornando-se mais comprido. Um dos membros do coven pega os recém-nascidos, um por um, e os põe novamente para dormir, dizendo:
– Durma o sono dos recém-nascidos.
Quando todos mergulham novamente no transe, são guiados para uma visualização de suas esperanças, para a nova vida que virá. Sacerdotisas lambuzam mel na língua de cada um, dizendo:
– Prove a doçura da vida.
Um novo cântico se inicia, suavemente, prossegue em crescendo de poder, à medida que gradualmente desperta os adormecidos, que se unem às linhas que são repetidas:
Navegue, navegue,
Siga o crepúsculo até o ocidente,
Onde possa descansar, onde possa descansar sua mente.
Navegue, navegue,
Volte sua face para onde o sol se apaga,
Para além da margem, para além da água.
Navegue, navegue,
Uma coisa torna-se outra,
Na mãe, na mãe.
Navegue, navegue,
Faça de seu coração um fogo ardente,
Torne-o mais forte, torne-o mais forte.
Navegue, navegue,
Num relance atravesse o portão aberto,
Ele não esperará, ele não esperará.
Navegue, navegue,
Sobre a escuridão do mar sem sol,
Você está livre, você está livre.
Navegue, navegue,
Guiando a nave do sol levante,
Você é o número um, você é o número um.
Navegue, navegue,
Para dentro da tempestade e do vento enlouquecidos,
Para renascer, para renascer.
Navegue, navegue,
Sobre as ondas onde a espuma branca jaz,
Para trazer a luz, para trazer a luz.

Todos:
Estamos todos acordados na noite!
Giramos a roda para que ela traga a luz!
Invocamos o sol do ventre da noite!
Sacerdotisa:
Ele volta sua face para o oeste, mas no leste se levanta!
Todos: Quem é esse?
Sacerdotisa: Que se põe na escuridão?
Todos: Quem é esse?
S: Que navega?
T: Quem é esse?
S: O renovador.
T: Quem é esse?
S: Aquele que traz os frutos dourados.
T: Quem é esse?
S: Imaculado.
T: Quem é esse?
S: Cujas mãos estão abertas?
T: Quem é esse?
S: Cujos olhos são brilhantes!
T: Quem é esse?
S: Cuja face é resplandecente?
T: Quem é esse?
S: A esperança da manhã!
T: Quem é esse?
S: Que atravessa o portal?
T: Quem é esse?
S: Que retorna em luz?
T: Quem é esse?
S: Um fulgor entre os pilares gêmeos.
T: Quem é esse?
S: Um clamor entre as coxas!
Todos: – Io! Evoé! Io! Evoé! Io! Evoé!
Sacerdotisa: (conduzindo, todos repetindo):
Rainha do sol!
Rainha da lua!
Rainha dos chifres!
Rainha dos fogos!
Traga até nós a criança da promessa!
É a grande mãe
Que a ele dá à luz,
É o senhor da vida,
Que nasceu novamente!
Escuridão e lágrimas
São abandonados,
Quando o sol se levanta novamente!
Sol dourado,
Das montanhas e dos campos,
Ilumine a terra!
Ilumine os céus!
Ilumine as águas!
Ilumine os fogos!
(Cântico tradicional.)
Todos: – Io! Evoé! Io! Evoé! Io! Evoé!

A sacerdotisa acende a fogueira e as velas e todos começam a cantar:
Eu que morri estou vivo hoje novamente,
E este é o aniversário do sol! (Repita.)
Este é o aniversário da vida, amor e asas,
E o grande e alegre acontecimento da ilimitada terra.³
Nascemos novamente, viveremos novamente!4 (Repita.)
O filho do sol, o rei nascido no inverno!
Desenvolva em cântico de poder, centrado no novo despertar da vida. Partilhe os festejos e a amizade, idealmente, até o amanhecer. Antes de terminar, a sacerdotisa diz:
O deus da escuridão cruzou o portal,
Ele renasceu através da Mãe,
Com Ele renascemos nós!
Todos:
A maré mudou!
A luz voltará novamente!
Em um novo amanhecer, em um novo dia,
O sol está se levantando!
Io! Evoé! Abençoado seja!

Abra o círculo.

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Fonte:
A Dança Côsmica da Feiticeiras - Starhawk



{Solstício de Verão - Starhawk}


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LITHA (SOLSTÍCIO DO VERÃO, 20-23 DE JUNHO)*

O altar e o círculo são decorados com rosas e outras flores de verão. Uma fogueira é acesa no centro do círculo. O sacerdote carrega uma figura do Deus feita de pedaços de pau entrelaçados. Um pão (cuidadosamente embrulhado em várias camadas de folha de alumínio) é escondido em seu centro. Uma grinalda de rosas e flores-do-campo é colocada sobre o altar. Membros do coven e convidados também usam flores.

Reúna o grupo, faça uma meditação da respiração e acenda o fogo. A sacerdotisa  diz:
"Este é o tempo da rosa, florescência e espinho, fragrância e sangue. Agora, neste dia mais longo, a luz triunfa e, no entanto, começa a declinar para a escuridão. O Rei Sol amadurecido abraça a Rainha do Verão no amor que é morte, pois ele é tão completo que tudo se dissolve na única canção de êxtase que move os mundos. Portanto, o Senhor da Luz morre para si mesmo e navega através dos mares misteriosos do tempo, buscando a ilha da luz que é o renascimento. Giramos a roda e partilhamos seu destino, pois plantamos as sementes de nossas próprias transformações e, a fim de crescermos, devemos aceitar até mesmo a partida do sol." 

Purifique, disponha o círculo e invoque a Deusa e o Deus.

Dance a dança espiral, cantando:
Ela é luminosa
Ela é branca
Ela é resplandecente
Coroada de luz!
Ele é radiante
Ele é brilhante
Ele está subindo
Ele alça voo!

Quando o poder é elevado, o cântico, gradualmente, muda. (Os versos que se seguem são cantados repetidamente; diferentes membros cantam diferentes versos, simultaneamente:)

"Ela está no centro, ela que floresce!
Ser folhado ser vivo, ver folhado ser vivo...
Ela é coroada, ela que abraça!"

O sacerdote dança com a figura do Deus, no centro do círculo. Ainda cantando, membros do coven colocam flores sobre a figura, entrelaçando-as com os paus, até que, enquanto o poder cresce, a figura esteja coberta com flores. O círculo se espalha: o cântico transforma-se em um cone de poder sem palavras, à medida que sacerdote e sacerdotisa dançam mais próximos ao fogo. Quando o cone chega ao seu máximo, a sacerdotisa estende os braços e clama: – Para mim! Para mim!
O sacerdote lança a figura às chamas. Todos estão em silêncio meditando sobre as flores que murcham e queimam.

Enquanto as flores morrem, membros podem cantar, suavemente, “Navegue”
(vide ritual para o solstício de inverno). Um membro do coven carrega a grinalda em volta do círculo, segurando-a próximo ao rosto da pessoa para que esta possa ver as chamas através dela. Ele diz:
– Veja com a visão límpida.
Ela suspende a grinalda, e prossegue:
– E conheçam o mistério do círculo contínuo!
Sacerdote e sacerdotisa retiram o pão do fogo e o abrem. A sacerdotisa eleva-o.
Sacerdotisa: – Vejam, o deus penetrou o grão!
Todos: – Ele nos alimentará!
Sacerdotisa: – O sol está sobre a água!
Todos: – Ele saciará nossa sede!
Sacerdotisa: – O Deus está no milho!
Todos: – E este crescerá viçoso!
Sacerdotisa: – O Deus está sobre a árvore e a vinha!
Todos: – Ele amadurecerá no tempo certo!
Sacerdotisa: – O sol não está perdido!
Todos: – Ele nascerá novamente!
Sacerdotisa: – O sol está dentro de nós!
Todos: – Veja como brilhamos!
Todos cantam “veja como brilhamos”, enquanto pão e bebida são passados ao redor do círculo.

Partilhe alimentos e abra o círculo.


INVOCAÇÃO AO DEUS DO VERÃO
Senhor das cores do dia
Despertador indômito dos corações
Consolador das tristezas
Aquele que nomeia
Dançarino clarividente
Filho da manhã
Semente amadurecida da videira
Ser de muitas joias
Caçador besta selvagem
Guie-nos
Venha
Você é a bebida que sacia a nossa sede!
Nós somos as flores orvalhadas
Que se abrem para o seu feixe dourado de luz.


INVOCAÇÃO À RAINHA DO VERÃO
Rainha do Verão
Abelha Rainha
Doce perfumada
Florescente
Néctar do Mel
Fonte transbordante
Rosa desabrochada
Dançarina inebriante
Vento murmurante
Cantora
Ser encantado
Flor e espinho
Rhianon
Arianrhod
Afrodite
Ishtar
Cibele
Penetre-nos
Leve-nos daqui!


INVOCAÇÕES DO RITUAL DE SOLSTÍCIO DE VERÃO

(Com estas, inicie pelo norte)
Meus ossos, meu corpo, como a terra sejam
Montanhas os meus seios
Grama fresca e folhagem abundante
Meus cabelos ao vento,
Pó escuro e rico, leito de lama
Semente lançando branca raiz profunda,
Tapete de folhas moldura natural
Nossa cama seja!
Pela terra que é o seu corpo,
Poderes do norte enviem sua força.
Ar, meu fôlego, brisa da manhã,
Garanhão da estrela do amanhecer,
Redemoinho, carregando todos os que nas alturas planam,
Abelha e pássaro,
Doce aroma,
Lamento da tempestade,

Transporte-nos!
Pelo ar que é seu fôlego,
Poderes do leste enviem sua luz.
Acenda meu coração, queime brilhante!
Meu espírito é uma chama,
Meu olhar nada perde.
Uma flama salta de nervo em nervo
Fagulha do fogo solar!
Desperta o calor replicante, deleite insuportável!
As chamas cantam, consuma-nos!
Pelo fogo que é seu espírito,
Poderes do sul, envie sua chama.
Irrigue meu útero, meu sangue,
Lave-nos, refresque-nos,
Ondas desembarcam na praia em asas brancas,
A corredeira, o sibilar, o ribombar das pedras
Enquanto a maré recua,
Esse ritmo, meu pulso,
Inunde, fonte esguichante,
Para que possamos nos derramar,
Leve-nos daqui!
Pelas águas do seu útero vivo,
Poderes do oeste, enviem seu fluxo.

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Fonte:
A Dança Côsmica da Feiticeiras - Starhawk



{Solstício de Verão - Gary Cantrell}


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Litha

Litha é o festival do Solstício de Verão, mais ou menos em 21 de junho no Hemisfério Norte e 21 de dezembro no Hemisfério Sul, mas a data verdadeira varia de ano para ano. É o dia mais longo do ano e representa o pico da força do Deus. Tanto a Deusa como a Terra foram impregnadas, e os rituais de verão são realizados para proteger e continuar a gravidez de ambas. Litha representa no Hemisfério Norte o meio do ano, e os pagãos entendem que os meses de inverno logo seguirão. Como é o meio do ano, também é comum, em algumas Tradições, o Sumo Sacerdote começar a ter um papel mais dominante nos rituais do Sabá. A celebração pagã de Litha acabou sendo adotada pela Igreja Cristã como a Festa de João Batista.

Era costume, nessa noite, acender grandes fogueiras depois do pôr-do-sol, com o propósito de fornecer luz para os maus espíritos foliões que estavam vagando. Outros costumes incluíam enfeitar a casa com bétula, erva de São João e lírios brancos. Os dois principais ícones do feriado são a flecha, como símbolo do Deus Sol em sua glória, e o caldeirão de verão, como símbolo da Deusa em sua abundância. O Sabá de Litha é também uma época para reuniões familiares, festas e entretenimento, com reuniões tribais ou de clãs, incluindo vários jogos atléticos. O Sabá também é geralmente conhecido pela bênção de animais de todos os tipos, desde os rurais até os familiares. As decorações para Litha são flores de verão, e a vela do altar é em geral branca ou amarelo-clara.

Este pode ser um tempo para refletir sobre aquele ano, reconhecendo a força especial deste Sabá como pico dos poderes mágikos, e compreender que todas as coisas são cíclicas e nada dura para sempre. Um ritual básico poderia seguir os seguintes passos:

• Purificar e lançar o círculo.
• Invocar os quadrantes e o Senhor e a Senhora. Uma forma simples de invocar o Quadrante Leste pode ser a seguinte:

"Espírito do Leste, Ancião do Ar, nós Te invocamos para clarear-nos a mente e o coração. Concede-nos Tua clareza e Tua proteção, Espírito. Nós Te recebemos em nosso círculo, entra e fica conosco. Bem-vindo, Ancião do Ar. Bênçãos."

A Suma Sacerdotisa pode invocar a Deusa da seguinte forma:
"Nós Te invocamos, regente dos mares, dos sonhos e do destino. 
As marés todas Te pertencem, pois Tu és a mulher eterna para todo o sempre e nós Te invocamos."

O Sumo Sacerdote pode então fazer uma invocação ao Deus, mais ou menos assim:
"Salve, Senhor, Que és o calor do sol. 
Nós Te invocamos como nosso Senhor da Luz. 
Nós Te pedimos que estejas conosco.
Vem, Senhor da Floresta Verde, vem a Teus filhos.
Se estiver trabalhando no Coven, o Sumo Sacerdote dirá:
Salve o Senhor da Floresta Verde, Senhor da luz. Assim
como é preciso que haja dor a fim de conhecermos a alegria,
é preciso que haja trevas para conhecermos a luz.
Agradecemo-Te, nosso Senhor, pela centelha de luz e vida e
pelo amor e confiança que une todos nós."

O Sumo Sacerdote então em geral lê A Ordem do Deus. A vela branca do altar pode ser levada para o centro do círculo do Coven e todos podem alternar-se expressando sua gratidão ou até suas decepções com os eventos que ocorreram durante o ano, assim como suas esperanças e sonhos futuros.

Realizem o Rito do Bolo e da Cerveja.
Agradeçam ao Senhor e à Senhora por Sua presença. Um agradecimento típico às divindades pode ser proferido pela Suma Sacerdotisa ou pelo Sumo Sacerdote, e deve ser mais ou menos assim:
"Nós Vos agradecemos, Senhor e Senhora. Rejubilamo-nos em Vossa presença aqui esta noite e pedimos Vossas bênçãos ao partirdes. Que todos possamos prosseguir em paz e amor.
Todo poder é Vosso, Senhor e Senhora. Salve e adeus. Bênçãos."

Liberem os quadrantes e desfaçam o círculo. A liberação dos quadrantes, começando pelo Leste, poderá ser algo assim:
"Espírito do Leste, Ancião do Ar, nós agradecemos Tua
presença aqui esta noite. Nós agradecemos Tua proteção.
Vai com Teu poder, Espírito. Salve e adeus. Bênçãos."

Litha é tipicamente a noite do máximo poder solar ou do Deus e o mais longo dia do ano. É também uma época de relaxamento e alegria, para nos descontrairmos e aproveitarmos a companhia uns dos outros depois do ritual, caso o Coven o deseje.

Fonte:
Wicca: Crenças e Práticas - Gary Cantrell




{Solstício de Inverno - Gary Cantrell}


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Yule

O Yule é celebrado no Solstício de Inverno, o dia mais curto do ano. Isso ocorre mais ou menos em 21 de dezembro (Hemisfério Norte), embora a data verdadeira possa variar de ano para ano. O Yule é uma comemoração céltica da Deusa que se transforma na Grande Mãe, dando à luz o Deus que morreu no Samhain do ano anterior. Ele é celebrado quando o Sol retorna depois da mais longa noite do ano. Na verdade, o feriado de Natal sempre foi mais pagão do que cristão, motivo pelo qual muitos dos cristãos primitivos não o reconheciam. Yule/Natal tinha uma ligação muito próxima com histórias preexistentes de divindades pagãs, cuja existência estava ligada a nascimentos, mortes e ressurreições divinas que antecediam as histórias de Jesus, às vezes em milhares de anos.

A guirlanda é uma decoração típica do Yule, representando a Roda da Vida. Geralmente é feita de azevinho entremeado com pinhas que representam o Deus, e frutas ou pequenas conchas que representam a Deusa. Os celtas decoravam árvores de sempre-vivas com nozes, frutas, moedas e, ocasionalmente, velas. A sempre-viva, o azevinho, a hera e o visco eram plantas importantes das estações, cada uma, à sua própria maneira, simbolizando a fertilidade e a vida eterna. A tora tradicional do Yule é também um costume céltico, sendo decorada com sempre-vivas e azevinho antes de ser acesa ao pôr-do-sol. A tora do Yule queima-se durante a noite, até o amanhecer da manhã seguinte, outra representação da volta do Sol e do girar da Roda do Ano. A vela do altar do Yule pode ser violeta ou verde escura. Alguns pagãos preferem mudar a cor das velas do Deus e da Deusa, saindo do vermelho e branco mais tradicionais, para o vermelho e verde escuro na celebração do Sabá do Yule. Decorações típicas são também o azevinho, o visco, ramos de pinheiro ou pinhas.

Alguns eventos do Sabá do Yule poderiam incluir uma troca de presentes entre os componentes do Coven, um girar da representação física da Roda do Ano para ajudar nossa Deusa no nascimento de nosso Deus, e a colocação de bons votos para o próximo ano em uma árvore do Yule.

• Purifique a área e lance seu círculo.
• Invoque os quadrantes e o Senhor e a Senhora. Para invocar o Quadrante

"Leste, poderia usar algo assim:
Espírito do Leste, Ancião do Ar, nós Te invocamos para
clarear-nos a mente e o coração. Traz-nos Tua claridade e
Tua proteção, Espírito. Nós te recebemos no círculo, entra e
fica conosco. Bem-vindo, Ancião do Ar. Abençoado sejas.
Depois que todos os quadrantes tiverem sido invocados, o Sumo Sacerdote
pode invocar o Deus com palavras assim:
Senhor e Pai cujo símbolo é o Sol, retorna para nós e para a
Senhora, nossa Deusa. A morte já se foi e chegou a vida.
Bem-vindo de volta, Pai Deus. Bendito sejas.
A Suma Sacerdotisa pode então invocar a Deusa:
Senhora e Mãe, nosso Deus que vem de Ti voltou para todos
nós. Vem e une-Te a nós, querida Senhora. Damo-Te as
boas-vindas. Bendita sejas."

Se isto for feito em um Coven, a Ordem do Deus pode ser lida pelo Sumo Sacerdote. A Suma Sacerdotisa então diz:
"Bem-vindos ao fim do ano solar e a um novo início. Nosso
Senhor retornou da morte e, com nossa Senhora, Ele
tornará a enfrentar o mundo. Que a Poda gire sempre
para frente. Salve o Tule e bem-vindos, Senhor e Senhora."

Os membros do Coven podem trocar presentes, e votos para o próximo ano podem agora ser escritos e pendurados na árvore do Yule.

Passe à realização do Rito do Bolo e da Cerveja.
Agradeça ao Senhor e à Senhora sua presença. Um agradecimento típico às divindades pode ser proferido pelo Sumo Sacerdote ou pela Suma Sacerdotisa e consistir de algo assim:
"Nós vos agradecemos, Senhor e Senhora. Rejubilamo-nos
com Vossa presença aqui esta noite e pedimos Vossas bênçãos
de paz e amor. Ide com vosso poder, Senhor e Senhora.
Salve e adeus. Abençoados sois."

Libere os quadrantes e termine o círculo. A liberação dos quadrantes, começando com o Leste, poderia ser assim:
"Espírito do Leste, Ancião do Ar, nós agradecemos Tua
presença aqui esta noite. Agradecemos por Tua proteção.
Vá com Teu poder, Espírito. Salve e adeus. Bênçãos."


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Fonte:
Wicca: Crenças e Práticas - Gary Cantrell




{Solstício de Inverno - Janet e Stewart Farrar}


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Yule, 22 de Dezembro

No Solstício de Inverno, os dois temas-de-Deus do ciclo anual coincidem – ainda mais drasticamente do que o fazem no Solstício de Verão.Yule, (que, segundo o Venerável Bedes, provém do nórdico Iul significando ‘roda’) marca a morte e o renascimento do Deus-Sol; ele também marca a conquista do Rei do Holly, Deus do Ano Minguante, por parte do Rei do Carvalho, Deus do Ano Crescente. A Deusa, que era a Morte-em-Vida no Meio do Verão, agora apresenta seu aspecto de Vida-na-Morte; pois embora nessa estação ela seja a “senhora branca leprosa”, Rainha da escuridão fria, ainda assim este é o seu momento de dar a luz ao Filho da Promessa, o Filho Amante que a refertilizará e trará de volta a luz e o calor para o reinado dela.

A estória da Natividade é a versão cristã do tema do renascimento do Sol, pois Cristo é o Deus-Sol da Era Cristã. O nascimento de Jesus não está datado nos Evangelhos, e não foi até AD 273 que a Igreja deu o passo simbolicamente sensível de fixá-lo oficialmente no meio do inverno, para alinhá-lo com os outros Deuses-Sóis (tal como o Mitras persa, também nascido no Solstício de Inverno). Tal como São Crisóstomo, Arcebispo de Constantinopla, explicou um século depois com uma elogiada franqueza, a Natividade “do Sol da Virtude” fôra fixada de forma que “enquanto os pagãos estavam ocupados com seus ritos pagãos, os cristãos poderiam realizar seus ritos sagrados sem perturbação”. “Profano”ou “sagrado” dependia do seu ponto de vista, porque ambos estavam celebrando basicamente a mesma coisa – o ciclo da maré anual da escuridão em direção à luz. Santo Agostinho reconheceu o significado solar do festival quando ele instigou os cristãos à celebrá-lo para aquele que criou o Sol, mais do que para o próprio Sol.

Maria em Belém é novamente a Deusa como a Vida-na-Morte. Jerome, o maior estudioso dos Padres cristãos, que viveu em Belém de 386 até sua morte em 420, nos conta que havia também um bosque de Adonis (Tammuz) ali. Já Tammuz, amado da Deusa Ishtar, era o modelo supremo naquela parte do mundo do Deus Morto e Ressucitado. Ele era (como muitos de seu tipo) um deus de vegetação ou milho; e Cristo absorveu este aspecto deste tipo tanto quanto o aspecto solar, como sugere o Sacramento do Pão. Assim como Frazer ressalta (O Ramo Dourado, pág.455), é significativo que o nome Belém significa ‘a Casa de Pão’.

A ressonância entre o ciclo do milho e o ciclo do Sol é refletido em muitos costumes: por exemplo, a tradição escocesa de manter a Donzela do Milho (o último punhado colhido) até Yule e então distribuindo-o entre o gado para fazê-lo se desenvolver todo o ano; ou, no outro sentido, a tradição alemã de espalhar as cinzas do Tronco de Yule pelos campos, ou de manter seus restos carbonizados para atá-los ao último fardo da próxima colheita (1).

(Aqui novamente nos encontramos com as propriedades mágicas de tudo à respeito do fogo do Sabá, incluindo suas cinzas; pois o Tronco do Yule é, em essência, a fogueira do Sabá trazida para dentro [da casa] pelo frio do inverno).

(1) A transferência mágica da fertilidade de uma estação para outra através de um objeto físico encantado – particularmente por grãos ou seus produtos, ou pelos subprodutos do fogo – é um costume universal. Falando sobre o templo de Afrodite e Eros no declive ao norte da Akrópolis, onde residia a ‘Afrodite dos Jardins’, Geoffrey Grigson nos conta: “Foi à este templo que duas garotas, duas crianças, faziam uma visita ritual em toda primavera, trazendo com elas, do templo de Atenas no topo, pães moldados como falos e cobras. No templo de Afrodite os pães adquiriam o poder da fecundidade. No outono eles eram levados de volta à Akropolis, e eram esmigalhados nas sementes, para assegurar uma boa produção após a próxima semeadura. (A Deusa do Amor, pág.162).

Mas retornemos à Maria. Era difícilmente surpreendente que, para a cristandade permanecer como uma religião viável, a Rainha do Céu tinha que ser readmitida à algo como o seu verdadeiro status, com uma mitologia e uma devoção popular que em muito excedia (algumas vezes até mesmo conflitante com) os dados bíblicos sobre Maria. Ela tinha que receber aquele status, porque ela respondia ao que Geoffrey Ashe chama “um anseio em forma de Deusa” – um anseio que quatro séculos de cristianismo pronunciadamente machista-chauvinista, em ambos os níveis divino e humano, tornaram insuportável. (Deve ser enfatizado que o machismo-chauvinismo da Igreja não foi
inaugurado por Jesus, que tratava as mulheres como seres totalmente humanos, mas pelo misogenista doentio e odiador do sexo São Paulo).

A deificação virtual de Maria veio com alarmante velocidade, iniciada pelo Conselho de Éfeso em 431 “entre grande júbilo popular devido, sem dúvida, à influência que o culto da virgem Artemis ainda havia na cidade” (Enciclopédia Britânica, tópico ‘Éfeso’).

Significativamente, isto coincidia intimamente com a supressão determinada do culto à Ísis, que tinha se espalhado através do mundo conhecido. Daí para frente, os teólogos lutarampara disciplinar Maria, permitindo sua hyperdulia (‘super-veneração’, uma versão graduada, única para ela, da dulia, veneração, consentida ao santos), mas não latria (a adoração que era monopólio do Deus masculino). Eles manipularam para criar, através dos séculos, uma síntese oficial da Rainha do Céu, pela qual eles realizaram o notável feito duplo de dessexualizar a Deusa e desumanizar Maria. Mas eles não podiam abafar o seu poder; é para ela que o adorador comum (não sabendo nem se preocupando com nada à respeito da distinção entre hyperdulia e latria) se volta, “agora e na hora da nossa morte”. 

ERRATA : Onde se encontra “Senhora Branca Leprosa” é provável que o adjetivo se refira à cor, embora a mesma não conste nos dicionários comuns.

O protestantismo foi para o outro extremo e em graus variados tentou mais uma vez banir a Deusa por completo. Tudo que este conseguiu foi a perda da magia, a qual o catolicismo, seja de que forma distorcida e mutilada fosse, [ainda] mantia; pois a Deusa não pode ser banida.

(Para uma compreensão mais aprofundada sobre o fenômeno Mariano consulte as obras de Ashe A Virgem e de Marina Warner À Parte de Todo o Seu Sexo (?) (Alone of All Her Sex). a Deusa no Yule também preside sobre o outro tema de Deus- aquele do Rei do Carvalho e do Rei do Holly, que também sobreviveu na tradição popular do Natal, embora muito da teologia oficial o ignorasse. Na maré de Yule há um jogo, o brilhante São Jorge matou o negro ‘Cavaleiro Turco’ e então imediatamente gritou que havia matado seu irmão.

“Sombra e Luz, inverno e verão, são complementares um ao outro. Então vem o misterioso ‘Doutor’, com sua garrafa mágica, que ressucita o homem morto, e tudo termina com música e regozijo. Há muitas variações locais deste jogo, mas a ação é substancialmente a mesma em toda extensão”. (Doreen Valiente Um ABC da Feitiçaria – págs. 358-60). O jogo em Yule ainda sobrevive localmente – por exemplo em Drumquin, County Tyrone, onde jovens fazendeiros exoticamente mascarados e fantasiados vão de casa em casa encenando o antigo tema com palavras e ações trazidas desde seus ancestrais; a Radio Telefís Éireann fez um filme excelente sobre isto como sua obra para o Festival da Harpa Dourada de 1978.

Muitas vezes, naturalmente, o equilíbrio harmonioso dos gêmeos da escuridão e da luz, do minguar e crescer necessários, tem sido distorcido em um conceito de Bem-versus-Mal. Em Dewsbury, Yorkshire, durante aproximadamente sete séculos, os sinos da igreja tem badalado ‘o Badalar do Demonio’(?) ou ‘A Passagem do Velho Rapaz’ (?) na última hora da Véspera de Natal, alertando ao Príncipe do Mal que o Príncipe da Paz está vindo para destruí-lo. Então, a partir da meia-noite, eles dão salvas e saúdam o Nascimento. Um valioso costume, face à isto – mas de fato ele encobre uma triste degradação do Rei do Holly.

Suficientemente curioso, o nome popular ‘Old Nick’ (Velho Nick) para o Demonio reflete a mesma degradação. Nik era um nome para Woden, que é muito uma figura do Rei do Holly - tal como o Papai Noel é, de outra forma, São Nicolau (que no folclore primitivo não era transportado por renas mas cavalgava um cavalo branco através do céu – como Woden). Assim Nik, Deus do Ano Minguante, foi cristianizado de duas formas: como Satan e como o mais alegre dos santos. A Dança do Chifre de Bromley, de Abbot (agora um rito de Setembro, outrora um rito de Yule) é baseada na igreja paroquial de São Nicolau, o que sugere uma continuidade direta desde os dias quando o patrono da localidade não era Nicolau, mas Nik. (Sobre Nik e São Nicolau, consulte a obra de Doreen Valiente ABC da Feitiçaria, págs.258-9).

Incidentalmente, na Itália o lugar do Papai Noel é tomado por uma bruxa, e uma dama bruxa neste. Ela é chamada Befana (Epifania), e ela voa nas redondezas na Décima Segunda Noite em sua vassoura, trazendo presentes para as crianças através das chaminés. Uma extraordinária versão persistente do tema Rei do Carvalho/Rei do Holly no Solstício de Inverno é a caçada ritual e a matança dos wren (uma espécie de pássaro) – uma tradição folclórica considerada isolada no tempo e no espaço praticada nas antigas Roma e Grécia e nas atuais Ilhas Britânicas. O wren, ‘pequeno rei’ do Ano Minguante, é morto por sua contraparte do Ano Crescente, o robin de peito vermelho, que o encontra escondido num arbusto de hera (ou algumas vezes na Irlanda, num arbusto de holly, como é adequado ao Rei do Holly). A árvore do robin é o vidoeiro, que segue o Solstício de Inverno no calendário celta das árvores. No ritual representado, os homens caçavam e matavam os wren com galhos de vidoeiro.

Na Irlanda, o dia dos ‘Garotos Wren’ é o Dia de São Estéfano (?), 26 de Dezembro. Em alguns locais (a vila de pescadores de Kilbaha, em County Clare no estuário Shannon, por exemplo), os Garotos Wren são grupos de músicos adultos, cantores e dançarinos em trajes coloridos, que vão de casa em casa portando a pequena efígie de um wren em um arbusto de holly. Em County Mayo os Garotos (e garotas) Wren são festas de crianças, que também carregam arbustos de holly, batem em nossas portas e recitam seus temas para nós:
“O wren, o wren, o rei dos pássaros,
No Dia de Estéfano foi capturado no furze; (*)
Levante a chaleira e abaixe a panela,
E nos dê algum dinheiro para enterrar o wren”.
( * - tipo de arbusto)

Costumava-se dar ‘um penny’, mas a inflação deturpou a tradição. Toda a decoração de holly na Irlanda deve ser retidada da casa após o Natal; é considerado fator propício ao azar permitir que estes símbolos do Ano Minguante continuem. A aparente ausência de uma tradição de Meio de Verão correspondente, onde se esperaria por uma caçada ao robin, é enigmática.

Mas pode haver um traço disso na curiosa crença Irlandesa sobre uma Kinkisha (Cincíseach), uma criança nascida em Pentecostes (Cincís), sendo que tal pessoa está fadada ou a matar ou a ser morta – à menos que a ‘cura’ seja aplicada. Essa ‘cura’ é capturar um pássaro e esmagá-lo até a morte dentro da mão da criança (enquanto se recita três Ave Marias). Em alguns locais pelo menos, o pássaro tem que ser um robin, e nós achamos que esta é provavelmente a tradição original, pois Pentecostes é uma festividade móvel, caindo em qualquer data desde 10 de Maio até 13 de Junho – isso é, rumo ao final do reinado do Rei do Carvalho. Pode ser que há muito tempo atrás, uma criança nascida nessa estação corria o risco de se tornar um sacrifício substituto para o Rei do Carvalho, e que escapada melhor do que encontrar uma reposição na forma de seu próprio pássaro substituto, o robin de peito vermelho ? E o perigo de ‘matar ou ser morto’ pode ser uma recordação do destino de matar do Rei do Carvalho no Meio do Inverno e de ser morto no Meio do Verão. (2)

O robin do Ano Minguante nos leva até Robin Hood, aparecendo em ainda outro festival sazonal. “Em Cornwall”, Robert Graves nos conta, “Robin” significa falo. ‘Robin Hood’ é um nome campestre para campion vermelho (‘campion’significa ‘campeão’), talvez porque sua pétala fendida sugere um casco de carneiro, e porque Campeão Vermelho era um título do deus das Bruxas. . . . ‘Hood’ (ou Hod ou Hud) significava ‘tronco’ – o tronco colocado atrás do fogo – e era nesse tronco, cortado do carvalho sagrado, que se acreditou uma vez que Robin residia – daí ‘montaria [ou cavalo_?] de Robin Hood’, o parasita da madeira que escapava quando o tronco de Yule era queimado. Na superstição popular o próprio Robin escapou por cima da chaminé na forma de um robin e, quando Yule terminou, saiu como Belin contra seu rival Bran, ou Saturno – que tinha sido ‘Senhor do Desgoverno’ nos festejos da maré de Yule. Bran se escondeu da perseguição no arbusto de hera disfarçado como um Wren de Crista Dourada; mas Robin sempre o capturava e enforcava”. (A Deusa Branca, pág.397).

A menção do calendário celta de árvores (e de A Deusa Branca de Graves, sua análise moderna mais detalhada) nos traz de volta ao aspecto da Deusa e do Deus-Sol. Como será visto no nosso diagrama na página 26, as “Cinco Estações da Deusa” de Graves estão distribuidas ao longo do ano, mas duas delas (Morte e Nascimento) estão juntas em dias consecutivos no Solstício de Inverno, 22 e 23 de Dezembro. O último é um ‘dia extra’, que não pertence à qualquer uma das treze árvores-mês. Antes dele vem Ruis, a árvore-mês mais antiga, e após vem Beth, a árvore-mês vidoeiro. O padrão, cujo simbolismo valerá o estudo (embora preferívelmente no contexto do ano civil completo) é tal como segue, ao redor do Solstício de Inverno:

25 de Novembro – 22 de Dezembro : Ruis, a árvore mais antiga; uma árvore de julgamento e do aspecto sombrio da Deusa, com flores brancas e fruto negro (“Antiga é a árvore da Senhora – não a queime, ou serás amaldiçoado”). Pássaro, a gralha (rócnat); a gralha, ou corvo, é o pássaro profético de Bran, a divindade do Rei do Holly, que também está ligado aos wren na Irlanda, enquanto que em Devonshire o wren é o ‘cuddy vran’ ou ‘pardal de Bran’. Côr, vermelho-sangue (ruadh). Uma linha da Canção de Amergin: “Eu sou uma onda do mar” (para peso).

22 de Dezembro. Estação da Morte da Deusa: Árvore, o teixo, (idho), e a palmeira. Metal, o chumbo. Pássaro, águia (illait). Côr, muito branco (irfind).

23 de Dezembro O Dia Extra; Estação do Nascimento da Deusa: Árvore, fir (?) prateada (ailm), a Árvore de Natal original; também mistle-toe (?). Metal, prata. Pássaro, lapwing (?) (aidhircleóg), o piebald trapaceiro. Côr, piebald (algo como pintado ou malhado) (alad). Amergin pergunta: “Quem além de mim conhece os segredos dos dolmens não abatidos (?) ?”

24 de Dezembro – 20 de Janeiro: Beth, a árvore vidoeiro; uma árvore de começo e o exorcismo dos maus espíritos. Pássaro, faisão (besan). Côr, branco (bán). Amergin proclama: “Eu sou um cervo de sete chifres (?)” (para força).

O renascimento do Solstício de Inverno, e a parte da Deusa neste, foram retratados no antigo Egito através de um ritual no qual Isis circundava o santuário de Osíris sete vezes, para representar seu lamento por ele e suas andanças em busca dos membros espalhados de seu corpo. O texto de sua canção fúnebre para Osiris, no qual sua irmã Nephthys (que em um sentido é seu próprio aspecto obscuro) se reunira à ela, pode ser encontrado em duas versões de alguma forma diferentes em O Ramo Dourado, pág.482, e na obra de Esther Harding Mistérios da Mulher, págs.188-9. Typhon ou Set, o irmão/inimigo que o matou, era afastado pelo sacudir do sistro (tipo de sino_?) de Isis, para trazer o renascimento de Osiris. A própria Isis era representada pela figura de uma vaca com o disco solar entre seus chifres. Para o festival, as pessoas decoravam a parte externa de suas casas com lâmpadas de óleo que queimavam toda a noite. À meia noite, os sacerdotes emergiam de uma capela interna gritando “A Virgem concebeu ! A luz está aumentando !” e mostrando a imagem de um bebê aos adoradores. O posicionamento na tumba do Osiris morto era em 21 de Dezembro, após seu longo ritual de mumificação (que começava, interessantemente, em 3 de Novembro – virtualmente em Samhain); em 23 de Dezembro sua irmã/esposa Isis deu a luz à seu filho/outro self Horus. Osiris e Horus representam ao mesmo tempo os aspectos de Deus solar e vegetal; Horus é ambos o Sol renascido (os gregos o identificaram com Apolo) e o ‘Senhor das Colheitas’. Um outro nome de Horus, ‘Touro de Tua Mãe’, nos lembra que o Deus-criança da Deusa é, em outro ponto do ciclo, seu amante e fecundador, pai no devido curso de seu próprio self renascido.

As lâmpadas queimando toda a noite na véspera do Meio de Inverno sobrevivem, na Irlanda e em outros lugares, como uma única vela queimando na janela na Véspera de Natal, acesa pela pessoa mais jovem da casa – um símbolo da saudação microcósmica ao Macrocosmo, não diferente do lugar extra deixado na mesa de Pessach de uma família judia (em cuja mesa, incidentalmente, o filho mais jovem com sua pergunta “Pai, porque esta noite é diferente de todas as outras noites?”, também tem um papel importante a desempenhar).

A proprietária do pub da nossa vila oferece sua própria saudação microcósmica, seguindo uma tradição que ela nos diz que foi outrora difundida entre os donos de hospedarias irlandeses. Ela limpa um banco de estábulo, coloca palha fresca e deixa ali alguma comida, uma garrafa de vinho e uma mamadeira com leite- de modo que haverá ‘vaga na hospedaria’. Ela fica tímida para falar sobre isso mas lamenta que o costume pareça estar acabando.

Um amigo que viveu com os eskimós na Groenlândia, onde o cristianismo oprimiu um equilíbrio anterior bem integrado de crença e modo de vida, nos conta como os rituais do Solstício de Inverno morreram sem ser significativamente repostos. Pode-se dificilmente dizer que os eskimós celebram o Natal, em comparação com o festival tal como é conhecido nos países cristãos ‘antigos’; embora os ritos de solstício tradicionais (que aparentemente eram ocasiões memoráveis) não são mais observados pois eles dependem de cálculo exato do solstício através de observação estelar – uma habilidade que a geração atual não mais possui. Tudo para as bênçãos da civilização tecnológica !

Em Atenas, o ritual do Solstício de Inverno era o Lenaea, o Festival das Mulheres Selvagens. Aqui, a morte e o renascimento do deus da colheita Dionísio era encenado. No passado sombrio este tem sido um ritual de sacrifício do deus,e as nove Mulheres Selvagens picaram seu representante humano em pedaços e o comeram. Porém pelos tempos clássicos os Titãs se tornaram os sacrificadores, a vítima tendo sido substituida por um cabrito,e as nove Mulheres Selvagens se tornaram lamentadoras e testemunhas do nascimento. (Vide A Deusa Branca, Pág.399). As Mulheres Selvagens também aparecem nas lendas nórdicas; como as Waelcyrges (Valkírias) elas cavalgavam com Woden em sua Caçada Selvagem.

No ritual de Yule do Livro das Sombras, apenas o renascimento do Deus-Sol é apresentado, com o Sumo Sacerdote invocando a Deusa para “nos trazer o Filho da Promessa”. O tema Rei do Holly/Rei do Carvalho é ignorado – uma estranha omissão em vista de sua persistência no folclore da estação.

Nós combinamos os dois temas em nosso ritual, escolhendo o Rei do Carvalho e o Rei do Holly por sorteio, pois no Meio do Verão, imediatamente após o ritual de abertura – porém adiando o ‘assassinato’ do Rei do Holly para após a morte e renascimento do Sol.

Surge um problema a respeito da coroa do Rei do Carvalho; enquanto que no Meio do Verão as folhas de carvalho e holly são ambas disponíveis, em Yule as folhas de carvalho não estão. Uma solução seria armazenar folhas de carvalho de antemão no Verão ou Outono, pressioná-las e laqueá-las e fabricar uma coroa permanente do Rei do Carvalho para uso na maré de Yule. Outra solução, talvez menos frágil, é fabricar sua coroa permanente de frutos (?) de carvalho quando estiverem em sua temporada. Ou você pode usar as folhas de inverno do Olmo ou Carvalho Sempre Verde (Quercus iex). Tudo isso falhando, faça a coroa de galhos desfolhados de carvalho mas torne-os brilhantes com ouro falso (?) de Natal ou outra decoração disponível.

Em Yule, a Deusa é a ‘senhora branca leprosa’, Aquela de Cabelo Branco, Vida-em-Morte; assim, sugerimos que a Suma Sacerdotisa deveria novamente usar o chiffon branco ou tabard de filó (?) que nós descrevemos para Samhain. Uma adição dramaticamente efetiva, se ela possuir um ou isso possa ser disponibilizado, é uma peruca de branco puro, preferivelmente comprida. Se o seu coven operar vestido de céu, ela tirará o tabard antes do Grande Rito porém retenha a peruca se ela estiver usando uma, porque ela simboliza seu aspecto sazonal.

O lamento da Suma Sacerdotisa “Retorne, oh, retorne! . . .”, é uma forma ligeiramente adaptada do lamento de Isis por Osiris acima mencionado.

Se, isso é mais que provável, vocês tiverem uma árvore de Natal na sala, quaisquer luzes sobre ela deverão ser apagadas antes do Círculo ser lançado. O Sumo Sacerdote poderá então acendê-las imediatamente após ele acender a vela do caldeirão.

Caso haja uma lareira aberta no recinto, um Tronco de Yule poderá ser queimado durante o Sabá. Este deverá ser, naturalmente, de carvalho.

A Preparação

O caldeirão é posicionado próximo à vela do Sul, com uma vela ainda não acesa dentro deste e envolto com holly, hera e mistletoe.

Coroas para o Rei do Carvalho e o Rei do Holly estão prontas ao lado do altar. Um pouco de palha é colocada sobre o altar – tantos ramos quanto houverem homens presentes ao Sabá, exceto para o Sumo Sacerdote. Um deles é maior do que o resto e o outro é menor.

(Tal como no Meio do Verão, se a Suma Sacerdotisa decide por nomear os dois Reis ao invés de sortear, as palhas não serão necessárias).

Uma venda para os olhos do Rei do Holly está preparada próximo ao altar.

Um sistro (?) para a Suma Sacerdotiza é colocado sobre o altar. O Sumo Sacerdote vestirá
um tabard branco e, caso ela assim escolha, uma peruca branca. Caso haja uma árvore de Natal com luzes no recinto, as luzes deverão ser apagadas. Caso haja uma lareira aberta na sala, será produzido fogo até que esteja vermelho e brilhante, e um Tronco de Yule é colocado sobre este um pouco antes de o Círculo ser lançado.

O Ritual

Após a Runa das Feiticeiras, a Donzela traz as palhas do altar e as segura em sua mão de forma que todas as pontas estejam com seus comprimentos variados mas ninguém deve saber qual é o galho mais curto e qual é o mais longo. A Suma Sacerdotisa diz: “Que os homens façam o sorteio.”

Cada homem (exceto o Sumo Sacerdote) retira um galho da mão da Donzela e o mostra à Suma Sacerdotiza. A Suma Sacerdotiza aponta para o homem que tirou o ramo curto, e diz: “Vós sois o Rei do Holly, Deus do Ano Minguante. Donzela, traga sua coroa!”

A Donzela coloca a coroa de folhas de holly sobre a cabeça do Rei do Holly.
A Suma Sacerdotisa aponta para o homem que tirou o ramo comprido, e diz: “Vós sois o Rei do Carvalho, Deus do Ano Crescente. Donzela, traga sua coroa!”

A Donzela coloca a coroa de folhas de carvalho sobre a cabeça do Rei do Carvalho.

Enquanto a coroação prossegue, o Sumo Sacerdote se deita sobre o chão no centro do Círculo, curvado em uma posição fetal. Todos fingem não vê-lo fazer isso. Quando a coroação termina, o Rei do Carvalho diz :
“Meu irmão e eu fomos coroados e estamos preparados para nossa disputa. Mas
onde está o nosso Senhor o Sol?”
A Donzela responde :
“Nosso Senhor o Sol está morto!”

Se o tabard da Suma Sacerdotisa tiver um véu, ela o puxa por sobre sua face.
O coven se arruma ao redor do perímetro do Círculo.

A Suma Sacerdotisa pega o sistro, e a Donzela pega uma vela. Elas caminham juntas vagarosamente só redor do Sumo Sacerdote, deosil, sete vezes. A Donzela segura a vela de forma que a Suma Sacerdotisa possa ler o seu texto, e conta silenciosamente “Um’, “Dois”, e assim até chegar à “Sete”, assim que cada circuito for completado. Enquanto elas seguem, a Suma Sacerdotisa chacoalha seu sistro e lamenta:

"Retorne, oh, retorne!
Deus do Sol, Deus da Luz, retorne!
Teus inimigos fugiram – tu não tens inimigos.
Oh amável auxiliar, retorne, retorne!
Retorne para tua irmã, tua esposa, que te ama!
Nós não seremos separados (?).
Oh meu irmão, meu consorte, retorne, retorne!
Quando eu não te vejo,
Meu coração lamenta por ti,
Meus olhos buscam por ti,
Meus pés viajam pela Terra procurando por ti!
Deuses e homens pranteiam juntos por ti.
Deus do Sol, Deus da Luz, retorne!
Retorne para tua irmã, tua esposa, que te ama!
Retorne! Retorne! Retorne!”

Quando os sete circuitos forem completados, a Suma Sacerdotisa deposita seu sistro sobre o altar e se ajoelha próximo ao Sumo Sacerdote, com suas mãos repousando sobre o corpo dele e suas costas voltadas para o altar.

O coven, exceto a Donzela, se dá as mãos e se move vagarosamente deosil ao redor da Suma Sacerdotisa e do Sumo Sacerdote.

A Donzela fica em pé próximo ao altar e declama: (3)

(3) Escrito por Doreen Valiente, com palavras sugeridas por um hino de Natal em Carmina Gadelica, recolhida por Alexander Carmichael de Angus Gunn, um cottar (?) de Lewis.
(Vide Carmina Gadelica, Volume I, Página 133, ou O Sol Dança, Página 91). “Foi o primeiro cântico ou invocação que eu já escrevi para Gerald”, nos diz Doreen – no Yule de 1953, ela acha. Ele deu à ela a tarefa de escrever palavras para o ritual da véspera sem aviso, após o almoço, “deliberadamente me lançando no maior extremo para ver o que eu poderia fazer”.

“Rainha da Lua, Rainha do Sol,
Rainha dos Céus, Rainha das Estrelas,
Rainha das Águas, Rainha da Terra,
Trazei a nós o Filho da Promessa!
É a Grande Mãe que dá a luz à Ele;
É o Senhor da Vida que nasce novamente;
Escuridão e lágrimas serão afastadas quando o Sol chegar cedo!”

A Donzela dá uma pausa em sua declamação, e a Suma Sacerdotisa fica de pé, trazendo o Sumo Sacerdote para seus pés. Se ela estiver velada, ela retira novamente o véu de sua face. A Suma Sacerdotisa e o Sumo Sacerdote olham um para o outro, entrelaçando suas mãos entre si, e começam a girar deosil dentro do coven.

O círculo do coven se torna mais animado e veloz.

A Donzela prossegue :
“Sol Dourado da colina e da montanha,
Ilumine a terra, ilumine o mundo,
Ilumine os mares, ilumine os rios,
Cessem os lamentos, alegria para o mundo!
Bendita seja a Grande Deusa,
Sem começo, sem fim,
Perpétua pela eternidade, Io Evo! He(4)! Bendita seja !
Io Evo! He ! Bendita seja !
Io Evo! He ! Bendita seja ! . . .

(4) Pronunciado ‘Yo ayvo, hay’ (o ‘ay’ como em ‘day’). Um grito da Bacanália Grega. Para algumas ponderações acerca de seu possível significado sexual, vide a obra de Doreen Valiente Magia Natural, Página 92.

O coven se une ao cântico “Io Evo! He(4)! Bendita seja !”, e a Donzela deixa seu texto e a vela e se une ao círculo. O cântico e o círculo continuam até que a Suma Sacerdotisa grite “Sentem-se!”

Quando todos estiverem sentados, o Sumo Sacerdote levanta novamente e vai para o altar para buscar uma vela ou toco de vela. Ele a leva até o caldeirão e com ela acende a vela dentro do caldeirão. Então ele devolve a vela ou toco de vela original para o altar. Se houver uma árvore de Natal com lâmpadas, ele agora acende as lâmpadas.

Ele então toma seu lugar em frente ao altar, onde a Suma Sacerdotisa se une à ele, e ambos ficam em pé olhando para o coven sentado.

A Suma Sacerdotisa diz :
“Agora, no auge do inverno, o declínio do ano está terminado, e o reinado do Rei do Holly é finalizado. O Sol renasceu e o crescimento do ano começa. O Rei do Carvalho deve matar seu irmão o Rei do Holly e reger sobre a minha terra até o ápice do verão, quando seu irmão se erguerá novamente.”

O coven fica de pé e, exceto para os dois Reis, se afastam rumo ao perímetro. No centro do Círculo, os dois Reis ficam de pé olhando um para o outro, o Rei do Carvalho de costas para o Oeste e o Rei do Holly de costas para o Leste.

O Rei do Carvalho coloca suas mãos sobre os ombros do Rei do Holly, pressionando para baixo. O Rei do Holly cai de joelhos. Entrementes, a Donzela traz o cachecol, e ela e o Rei do Carvalho vendam os olhos do Rei do Holly. Ambos agora se afastam do Rei do Holly ajoelhado; a Suma Sacerdotisa caminha vagarosamente deosil ao redor dele, três vezes. Ela então se une novamente ao Sumo Sacerdote em frente ao altar.

O Sumo Sacerdote diz:
“O espírito do Rei do Holly partiu do meio de nós, para repousar em Caer Arianrhod, o Castelo da Roda de Prata; até que, com a passagem do ano, chegará a estação quando ele retornará a reger novamente. O espírito se foi; portanto que o homem dentre nós que abrigou aquele espírito seja dispensado de sua tarefa.”

A Suma Sacerdotisa e a Donzela vão adiante novamente e ajudam o Rei do Holly à se levantar. Elas o conduzem para a vela do Oeste, onde a Donzela retira sua venda e a Suma Sacerdotisa retira sua coroa, deixando estes ao lado da vela. O homem se vira e novamente se torna um membro comum do coven.

O Grande Rito é agora encenado, a Donzela ficando perto como athame e o Rei do Carvalho com o cálice. (Se o Sabá for realizado com todos vestidos de céu, a Donzela primeiramente ajudará a Suma Sacerdotisa à tirar seu tabard - que, sendo branco, pode então perfeitamente ser usado como o véu colocado sobre seu corpo para a primeira parte do Grande Rito).

Após o vinho e os bolos, o caldeirão é movido para o centro do Círculo, e todos saltam sobre ele do modo costumeiro antes do estágio da festa começar. No dia seguinte, quando a fogueira (se houver) estiver fria, as cinzas do Tronco de Yule devem ser recolhidas e espalhadas pelos campos ou jardim – ou, se voce mora na cidade e não tem nem uma jardineira de peitoril de janela, no parque mais próximo ou terra cultivada.

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Fonte:
A Biblia da Feitiçaria - Janet e Stewart Farrar




{Solstício de Inverno - Anuário da Grande Mãe}


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O solstício de inverno é uma data muito importante para os nativos norte-americanos porque marca o início de um novo ciclo. Aparentemente, o Sol não se move por quatro dias e os nativos chamavam este período de "Regeneração da Terra". Estes dias são dedicados a jejuns, orações e rituais de "fortalecimento" do Sol. Os xamãs abriam as "Sacolas de poder" da tribo e refaziam-nas, enquanto as pessoas eram purificadas e abençoadas.

No antigo Egito, comemorava-se, nesta data, o renascimento do deus solar Ra e a criação do Universo. Se chovesse, acreditava-se que eram as lágrimas de Ra, abençoando a terra neste início de um novo ciclo. 

Vários outros deuses solares, de várias culturas, eram celebrados; dentre eles, Apolo, Balder, Bel, Frey, Lugh, Mabon, Mithra e Quetzalcoatl. Foi por causa da força dessas comemorações que a Igreja Católica escolheu essa data para celebrar o nascimento de Jesus.

Yule era um Sabbat extremamente importante para os povos nórdicos e celtas, suas tradições tendo originado os atuais costume do Natal. Yule significava, em norueguês arcaico, "roda" e este Sabbat era considerado o "tempo de mudança". Na Roda do Ano, Yule é o oposto de Litha, marcando o início da metade clara do ano e o fortalecimento da luz.

Na tradição nórdica, Yule era celebrado durante doze noites. A primeira - na véspera do solstício - era chamada "A Noite da Mãe",  sendo dedicada à deusa Freya. A Grande Mãe, a  Criadora do Universo, era reverenciada pelos celtas e representada no topo da "Arvore do Mundo".

Com o passar do tempo, ela foi sendo substituída pelo anjo ou pela estrela no topo da árvore de Natal. A Deusa transforma-se: de Anciã velada, guardiã do mundo subterrâneo de Samhain, ela torna-se, agora, a mãe amorosa e cheia de vida, dando à luz seu filho solar.

Na tradição druida encenava-se, nesta data, o combate entre o "Rei do Carvalho" - o regente da metade luminosa do ano, de Yule a Litha - e o "Rei do Azevinho" - o regente da metade escura do ano, de Litha a Yule. Essa luta, vencida pelo Rei do Carvalho, simbolizava a vitória da luz, da expansão e do crescimento sobre a escuridão, a decadência e a aridez. O visco, a planta sagrada, era colhido com foices de ouro e distribuído pelos sacerdotes aos participantes como um talismã de boa sorte e proteção.

Confeccionavam-se, também, guirlandas de pinhas e frutas secas dedicadas à Deusa em seu aspecto de "Tecelã da Vida", simbolizando a Roda do Ano. Os povos escandinavos e saxões enfeitavam pinheiros com oferendas para as Divindades e os Espíritos da Natureza, costume este que originou no século XVI, a Árvore de Natal. A figura de Papai Noel surgiu das crenças dos lapões, cujos xamãs, viajando em trenós puxados por renas, levavam as dádivas de cura e auxílio às pessoas necessitadas.

No solstício, os romanos celebravam o deus Saturno com as festas libertinas da Saturnália e com a distribuição de presentes para amigos e familiares. O deus solar Apolo também era homenageado, as casas sendo enfeitadas com galhos de louro e lamparinas acesas. Na Africa, o festival Kwanzaa celebra os Sete Princípios da Vida, enquanto a festa judaica Hanukkah comemora a Luz.

As divindades solares relacionadas a este Sabbat são os deuses Apolo, Attis, Baldur, Dioniso, Frey, Horus, Lugh, Mabon, Mithra, Odin, Osíris, Quetzalcoatl, Ra, Surya e Tammuz e as deusas Amaterasu, Arinna, Bast, Befana, Bertha, Grainne, Holda, Lucina, Olwen, Shadhi, Sunna e as deusas tecelãs.

Yule é a noite mais longa do ano no hemisfério norte mas, por conter em si a semente da luz - que começa a aumentar juntamente com a duração do dia - é o momento adequado para tentar vislumbrar o futuro, buscando presságios e sinais ou orando, meditando e confiando nas orientações de sua voz interior. A atmosfera deste Sabbat era de alegria, celebração e confiança nas promessas do retorno da luz, da renovação e do renascimento.

Atualmente, nos círculos de mulheres, celebra-se, também, o nascimento da criança solar, a Deusa dando à luz, bem como a ativação da energia vital, as novas idéias e os novos planos preparando o futuro.

Os elementos ritualísticos para Yule são as velas vermelhas, verdes e douradas, as guirlandas de pinhas, flores frescas e secas, nozes, sinos e fitas coloridas, os galhos de pinheiro e cedro enfeitando o altar, juntamente com folhas de louro, azevinho, hera e visco. A iluminação é feita com tochas e Iampari nas e o elemento central é o tronco com três velas - "Yule log" - ou um pequeno pinheiro enfeitado com doze estrelas representando as constelações, dez globos prateados representando os planetas e uma deusa ou anjo no topo. Os incensos e essências correspondentes são de louro, carvalho, junípero, pinheiro, alecrim, sândalo e canela. As pedras são a granada, a esmeralda, o rubi, o diamante e o cristal de rocha. Pode ser encenado o nascimento da criança solar, fruto do casamento sagrado do Deus e da Deusa ou a luta entre o "Rei Azevinho" e o "Rei do Carvalho", que tinha sido derrotado no solstício de verão, mas agora vence. O Rei do Azevinho, por sua vez, é recebido  pela Anciã, que o conduz ao mundo subterrâneo, onde ele passará os próximos seis meses, à espera de um novo combate. Os participantes preparam oferendas para as divindades e levam-nas para um bosque ou alguma árvore, brindando com sidra ou vinho branco. O ritual pode ser encerrado com a cerimônia nativa de "give away": as pessoas trazem algum objeto que foi importante em suas vidas e passam-no a outra pessoa, contando sua história e sua mensagem simbólica de renovação.

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Fonte:
O Anuário da Grande Mãe - Mirella Faur